Durante muito tempo, o mercado de brinquedos tratou o consumidor adulto como exceção. O foco da indústria estava nas crianças, enquanto miniaturas, produtos licenciados e itens de fandom ocupavam um espaço secundário, muitas vezes vistos como nicho.
Esse cenário mudou.
Hoje, adultos representam uma das principais forças do colecionismo global. O movimento ganhou escala, nome e comportamento próprio: Kidult.
O que é o movimento Kidult
O termo nasce da combinação entre “kid” e “adult” e define adultos que mantêm interesse ativo por brinquedos, jogos e colecionáveis.
Não por regressão, mas como forma de lazer, expressão de identidade e investimento emocional.
No Brasil, o fenômeno é especialmente forte. Segundo a ABRIN, 76% dos adultos entre 18 e 65 anos se identificam como consumidores potenciais do segmento Kidult. A média global é de 67%.
O consumidor adulto deixou de ser exceção e passou a ocupar um espaço central no mercado.
O que impulsionou esse comportamento
O movimento tem raízes claras.
A nostalgia virou ativo emocional. Produtos que remetem à infância oferecem segurança, familiaridade e conexão com memórias afetivas.
Em 2020/2021, a pandemia empurrou adultos para hobbies analógicos: montar, colecionar e jogar se tornaram formas de bem-estar dentro de casa. O hábito se estabeleceu e não retrocedeu desde então.
Ao mesmo tempo, as redes sociais ajudaram a transformar o colecionismo em comportamento visível e compartilhável.
O fenômeno do unboxing, os vídeos de montagem e as comunidades digitais criaram um ambiente onde colecionar também virou linguagem social.
Um novo tipo de consumo
O comportamento mudou.
O consumidor não compra apenas para guardar.
Compra para montar, exibir, organizar, completar coleção e compartilhar aquilo que gosta.
O produto passa a ocupar espaço no ambiente, na rotina e até na identidade visual da pessoa.
Por isso, categorias como cultura pop, esportes, cinema, games, automóveis e blocos de montar cresceram tanto nos últimos anos dentro do mercado adulto.
Elas conectam produtos com pertencimento.
O impacto no mercado
O crescimento do público Kidult alterou a lógica do mercado de colecionáveis.
Hoje, marcas não disputam atenção apenas por funcionalidade ou preço. Disputam identificação cultural, memória afetiva e valor percebido.
Isso abriu espaço para produtos mais elaborados, licenciados e voltados para exposição.
O colecionável deixou de ser visto apenas como brinquedo.
Passou a ocupar um espaço entre hobby, decoração e experiência.
E é exatamente essa lógica que diferencia o colecionismo de quase qualquer outro segmento do varejo.